Após mais de dois séculos de ausência, as araras-canindés estão prestes a redenominar os céus do Rio de Janeiro com um projeto histórico de reintrodução da espécie na cidade. Resgatadas de cativeiros ilegais e vítimas de maus-tratos, quatro aves foram recepcionadas no Parque Nacional da Tijuca, onde passaram por um processo de reabilitação e aclimatação desde junho de 2025, conduzido pela ONG Refauna, com apoio do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e diversos parceiros.
A missão visa restaurar as funções ecológicas da Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e devastados do planeta. O reinício dessa presença animal é emblemático: o último registro da arara-canindé em vida livre no Rio de Janeiro data de 1818.
A extinção local da espécie resultou na perda de uma importante dispersora de sementes, prejudicando a regeneração da floresta. No Parque Nacional da Tijuca, as aves passaram por um período de adaptação em um viveiro especialmente construído, onde receberam treinamentos para manter a musculatura do voo, reconhecer alimentos nativos e evitar o contato com humanos, preparando-se para o retorno à vida selvagem.
Além de recuperar a biodiversidade e o equilíbrio do ecossistema, o projeto traz esperança para que a Mata Atlântica recupere sua diversidade original. As araras-canindés, de plumagem azul e amarela vibrante, desempenham papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo para o crescimento de novas plantas e a restauração da floresta silenciosa e vazia que persiste em muitos locais.
A iniciativa planeja reintroduzir 50 araras nos próximos seis anos, com a primeira soltura definitiva prevista para dezembro de 2025. Durante esse tempo, as aves continuam recebendo alimentação, exercícios e acompanhamento cuidadoso para garantir sua adaptação e segurança no ambiente natural.
O projeto também contou com um rigoroso processo de seleção e exames sanitários, assegurando bem-estar total aos animais, que foram retirados de tráfico ilegal e recuperados no Parque Três Pescadores, em Aparecida, São Paulo. O retorno das araras-canindés ao Rio de Janeiro simboliza um avanço significativo na conservação ambiental urbana, buscando restaurar sons e funções naturais perdidas há séculos e fortalecer a floresta como um todo.
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