A produção científica sobre saúde do solo está concentrada em poucos países e revela um cenário desigual no enfrentamento de desafios ambientais e agrícolas globais. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apontou que 60% dos artigos científicos sobre saúde do solo são provenientes de apenas cinco nações: China, Estados Unidos, Índia, Brasil e Espanha. Regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas, como África, América Central, Sudeste Asiático e Oriente Médio, produzem pouca ou nenhuma pesquisa neste campo, sendo consideradas “pontos cegos” no debate científico.
Pesquisa desigual aumenta riscos ambientais
Nas regiões com menor espaço científico, como zonas tropicais e semiáridas, a falta de conhecimento local dificulta a criação de estratégias específicas de manejo e conservação, agravando a degradação do solo e ampliando desafios produtivos e ambientais. Segundo o estudo, essas regiões também enfrentam sobreposição de vulnerabilidades, como pobreza e instabilidade política, o que reduz a capacidade de investimento em pesquisas e tecnologias adaptativas.
Liderança científica e soluções locais
Os autores destacam a importância de fortalecer lideranças científicas em regiões pouco representadas, já que a simples transferência de tecnologias de países desenvolvidos é lenta e, muitas vezes, pouco eficaz. Entre os pesquisadores mais produtivos mundialmente estão nomes como Rattan Lal (EUA), Douglas Karlen (EUA), Maurício Cherubin (Brasil), Davey Jones (Reino Unido) e Carlos Garbisu (Espanha). Para além da produção de conhecimento, o Brasil se destaca pela criação de ferramentas inovadoras, como o SOHMA kit, desenvolvido para análise rápida e acessível da saúde do solo em campo, especialmente útil em áreas com menor investimento em infraestrutura laboratorial.
Crescimento da produção, mas desafios persistem
A área de saúde do solo tem tido crescimento expressivo, com mais da metade dos artigos publicados nos últimos cinco anos, mas ainda carece de conceitos amadurecidos e maior representatividade de regiões vulneráveis. Para especialistas, investir na ciência do solo não é só uma questão ambiental, mas essencial para garantir produção agrícola sustentável, segurança alimentar e adaptação às mudanças climáticas.
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