O iFood, principal plataforma de delivery de comida do Brasil, realizou o pagamento de quase R$ 1 bilhão em tributos federais após perder uma batalha judicial envolvendo o uso do benefício fiscal do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). A decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinou que a empresa deveria devolver os valores referentes ao benefício indevidamente aproveitado desde 2023.

O Programa Perse, criado para socorrer setores impactados pela pandemia, previa a isenção de impostos como IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para empresas do setor de eventos. Contudo, após mudanças legais, o iFood continuou se beneficiando do programa mesmo não se enquadrando nos critérios estabelecidos pela Receita Federal a partir de maio de 2023. A Justiça confirmou que esta isenção não deveria ter sido mantida para o iFood, levando à determinação do pagamento dos tributos em aberto.

Segundo informações da Receita Federal, o iFood deixou de recolher mais de R$ 900 milhões em tributos federais entre 2023 e o início de 2025, causando um impacto significativo nas contas públicas. A empresa realizou o pagamento parcelado desses valores nos meses de setembro e outubro de 2025, conforme previsto em seu balanço financeiro, afirmando que não houve impacto nas operações.

O iFood também comunicou que suspendeu o uso do benefício fiscal do Perse desde janeiro de 2025. O programa, que foi extinto em abril de 2025 após alcançar um teto de R$ 15 bilhões em renúncias fiscais, recebeu críticas por conceder isenções consideradas excessivas, dificultando o equilíbrio das finanças públicas.

Apesar dessa controvérsia tributária, o iFood vive um momento de forte crescimento. A plataforma espera alcançar uma receita total de cerca de R$ 7 bilhões em 2025, com destaque para sua unidade financeira iFood Pago, que deve registrar faturamento de R$ 1 bilhão, um salto superior a 50% em comparação ao ano anterior. O serviço financeiro da empresa tem ampliado sua atuação, oferecendo maquininhas de pagamento e empréstimos para restaurantes parceiros.

A empresa possui mais de 60 milhões de usuários ativos e cerca de 400 mil estabelecimentos parceiros, movimentando mensalmente mais de 80 milhões de pedidos no país. Pertencente ao grupo holandês Prosus desde 2022, o iFood anunciou investimentos de R$ 17 bilhões até 2026 para expansão das operações e tecnologia.

O pagamento dos tributos também contribui para as metas fiscais do governo brasileiro, que busca equilibrar as contas públicas em 2025. Especialistas destacam que o iFood cresceu consideravelmente durante a pandemia, com receitas tributáveis mensais passando de R$ 236 milhões em março de 2020 para R$ 1,2 bilhão em dezembro de 2024, o que mostra a importância da empresa no cenário econômico atual.

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Redação Gazeta
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