No último domingo, 26 de outubro, Santa Quitéria, cidade do interior do Ceará, realizou eleição suplementar que definiu Joel Barroso (PSB) como novo prefeito. O pleito ocorreu após a cassação do ex-prefeito José Braga Barrozo, o Braguinha, por abuso de poder político e econômico e envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho.
Antecedentes: a eleição de 2024 e a cassação
Braguinha foi reeleito em 2024, mas sua posse foi interrompida pela Polícia Federal, que o prendeu horas antes do início do segundo mandato. Investigações da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral identificaram ações criminosas durante a campanha: compra de votos com distribuição de entorpecentes, ameaças e coação de eleitores e adversários organizadas pela facção Comando Vermelho, cujos líderes agiram desde o Rio de Janeiro e Santa Quitéria. Mensagens de WhatsApp, pichações e relatos de intimidação comprovaram o apoio da facção ao grupo, corrompendo o equilíbrio democrático do processo eleitoral. O TRE-CE cassou o mandato de Braguinha e de seu vice, Francisco Gardel Mesquita Ribeiro, decretando a inelegibilidade de ambos por oito anos e determinando nova eleição para o município.
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O novo pleito e a vitória de Joel Barroso
Após a cassação, Joel Barroso, então presidente da Câmara Municipal e filho de Braguinha, assumiu interinamente a prefeitura. Nas eleições suplementares, venceu com 53,21% dos votos (13.161 votos), superando Lígia Protásio (PT) e Cândida Figueiredo (União Brasil). O processo, acompanhado por forte esquema de segurança, evidenciou a preocupação com a influência do crime organizado e a necessidade de proteger a legitimidade democrática local. Santa Quitéria tem cerca de 41 mil habitantes e, diante desses episódios, se tornou símbolo do debate nacional sobre integridade eleitoral e combate à criminalidade política.
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