Até o momento, o Rio de Janeiro vive a maior e mais letal operação de segurança pública dos últimos 15 anos, com foco central nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha. A ação, batizada de Operação Contenção, mobilizou cerca de 2.500 policiais civis e militares e resultou em 64 mortos (60 suspeitos e 4 agentes), 81 presos, além da apreensão de 75 fuzis, outras armas e motos. A ofensiva, coordenada entre forças estaduais e federais, tem por objetivo capturar lideranças do Comando Vermelho (CV) e conter a expansão territorial da facção, marcando um novo patamar na história policial do estado.
Contexto e objetivo da operação
Segundo o governo do estado, a megaoperação foi planejada durante mais de um ano, baseada em mandados de prisão e busca originados na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O objetivo declarado é desarticular a estrutura do CV, prender chefes do tráfico, e reprimir atividades de narcoterrorismo, já que os criminosos passaram a utilizar tecnologia de guerra, como drones, bombas e armamento pesado.
Dinâmica e impacto
A operação desencadeou repercussões em toda a cidade. Barricadas feitas como represália pelos criminosos bloquearam vias importantes, como Linha Amarela, Grajaú-Jacarepaguá e Méier, afetando mais de cem linhas de ônibus. Ao menos 45 escolas e creches suspenderam atividades, e diversas unidades de saúde foram impactadas ou fechadas. Drones policiais flagraram grupos armados, vestidos com roupas camufladas, fugindo por trilhas na mata da Vila Cruzeiro, reforçando o cenário de guerra urbana.
Balanço das ações estaduais e federais
Desde janeiro de 2023, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal intensificaram operações no RJ: mais de 3.082 veículos, quase 14 mil munições, 72 fuzis e toneladas de drogas foram apreendidas. Só em 2025, a PF realizou 178 operações (24 ligadas a tráfico de drogas e armas), com 210 prisões no total, sendo 60 diretamente associadas ao tráfico, além de grandes operações conjuntas como Forja e Buzz Bomb, que desarticularam fábricas clandestinas de armas e detiveram operadores de drones das facções.
Repercussão e cenário político
O governador Cláudio Castro classifica a ação como “força máxima e integrada”, ressaltando o enfrentamento ao narcoterrorismo. As ações resultaram em troca de acusações entre governos estadual e federal quanto ao apoio institucional, mas o Ministério da Justiça afirma atender integralmente as solicitações para emprego da Força Nacional de Segurança Pública no estado. A imprensa internacional repercute o alto grau de violência e o uso de dispositivos tecnológicos, com imagens de intensos confrontos e agentes em atuação recordista.
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Histórico comparativo
O número de mortes supera mais que o dobro da até então mais letal ação: a operação em Jacarezinho (2021), que deixou 28 mortos. O saldo atual supera também grandes operações de 2022 e 2007 ocorridas nas mesmas regiões do Alemão e Penha, mostrando uma escalada preocupante na letalidade dos confrontos urbanos.
A Operação Contenção segue em andamento, com policiamento e investigações reforçados em várias áreas do Rio, e o estado permanece em estágio elevado de atenção operacional, indicando risco alto de novos confrontos ou represálias.
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